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O poder da contação de histórias

A contação de histórias (storytelling) é uma das maneiras mais eficazes para os treinadores corporativos se conectarem aos aprendizes e potencializarem o conteúdo que desejam transmitir. O propósito desta conexão é ajudar os aprendizes a adquirirem os conhecimentos para se tornarem mais produtivos e provocarem mudanças intencionais. As histórias relatam experiências e ajudam as pessoas a se identificarem e aprenderem com uma situação.

Eventos e mudanças

Você pode escolher entre muitos tipos diferentes de histórias. Algumas histórias entretêm ou intrigam o público. E algumas têm o poder de transformar as pessoas – e são estas as que você vai querer contar. As histórias contêm dois elementos: “eventos e mudanças”. Para planejar a sua história, descubra o ponto principal e se concentre no evento central e fundamental que sustenta esse ponto. Em seguida, crie uma linha do tempo para a sua história, detalhando a sequência de eventos, suas conexões e “relações causais”. De acordo com o livro Stories at Work de Wade Jackson, uma história é “uma sequência de eventos que progridem em direção a um final onde alguém ou algo sofreu uma mudança”. Em Wired for Story, Lisa Cron escreve: “Uma história mostra o que acontece quando um evento afeta uma pessoa que está tentando alcançar um objetivo difícil e como ele ou ela muda como resultado”. Todas as histórias precisam de algo que prenda a atenção da audiência e a mantenha sintonizada e interessada o tempo todo.

Fontes da narrativa

O autor Wade Jackson afirma que você vai sempre encontrar boas histórias para contar a partir de quatro fontes existentes na sua própria vida:

  • Carreira profissional – O que você mais gosta no seu trabalho? O que você gosta menos? Quais eventos significativos moldaram a sua carreira ao longo dos anos? Quais são suas realizações mais significativas?
  • Pessoas – Quem causou a influência mais benéfica na sua vida? Pais? Professores? Mentores? Gerentes? Outros indivíduos?
  • Eventos – Quais ocorrências significativas afetaram você, para o bem ou para o mal? Já adulto? Quando criança? Quais lugares você visitou – ou morou – que significaram mais para você? Quais hobbies e atividades você considera mais satisfatórios?
  • Valores – O que reforça ou prejudica os seus valores? Quais ações do passado ou decisões de vida fizeram você se sentir culpado? Ou orgulhoso de si mesmo?

Conte os tipos de histórias a seguir:

  • Histórias que ensinam – Eventos com aplicabilidade universal ajudam a criar boas histórias, e os seus ensinos devem servir para as pessoas tomarem boas decisões.
  • Histórias que conectam – As suas histórias devem conectar os seus aprendizes ao conteúdo educacional. As histórias devem servir como pontes para o aprendizado deles. Procure por elementos da história com os quais eles possam se relacionar imediatamente.
  • Histórias que apresentam mudanças – Algumas histórias criam mudanças e apoiam o crescimento profissional. Elas devem mostrar que as mudanças significativas são sempre possíveis, evocando “resultados positivos”.
  • Histórias que são relevantes – Para conquistar o público, certifique-se de que as suas histórias são importantes para as suas vidas e desenvolvimento profissional. As histórias devem responder às seguintes perguntas dos aprendizes: “Por que você está contando esta história? E por que neste momento? Onde você quer chegar?”
  • Histórias que entretêm – Histórias que divertem ou surpreendem podem ter grande poder. Ser divertido torna o seu conteúdo mais envolvente, mas a simples diversão nunca deve ser o objetivo único do seu conteúdo. Você é um instrutor, não um comediante.

Storytelling e desempenho

O treinamento corporativo se concentra em promover um desempenho superior. As histórias podem servir como uma estrutura essencial para organizar o conteúdo educacional, fornecendo contexto e ilustrando padrões específicos. As histórias podem tornar as apresentações mais significativas, acentuando a importância do aprendizado e mostrando por que a atitude correta é essencial. As histórias podem servir como narrativas corporativas de advertência. Para serem memoráveis, atraentes e eficazes, as histórias devem ser estruturadas a partir de dois elementos: “enquadramento e conteúdo”. Faça uso de dois modelos básicos de estrutura de narrativa: “modelos receita de bolo” e “modelos bloco de construção”.

Exemplo de modelo receita de bolo: a “jornada do herói”

Como na culinária, os modelos de narrativa do tipo receita de bolo acompanham elementos específicos – como ingredientes – e mostram como cada um deles influencia a história geral. A jornada do herói tem sido um esboço confiável de planejamento de histórias para autores e diretores de filmes. Esta fórmula tem sido a base de “contos heroicos” desde os primórdios da humanidade. Muitas dessas sagas se tornaram clássicos. A jornada do herói sempre representa uma feroz “batalha entre o bem e o mal”. Esta jornada passa por 12 elementos de narrativa:

  1. Mundo cotidiano – A história começa com o herói em seu ambiente atual, como a Dorothy em casa no Kansas antes da sua dramática viagem em O Mágico de Oz.
  2. Chamado à aventura – Para lidar com um grande desafio, o herói deve deixar para trás o conforto da sua casa e embarcar em uma jornada de aventura.
  3. Recusa do chamado – Alguém tenta convencer o herói a embarcar na perigosa jornada e, a princípio, o herói se recusa, como fez Luke Skywalker diante do pedido de ajuda de Obi Wan Kenobi em Guerra nas Estrelas.
  4. Encontro com o mentor – Um mentor está pronto para ajudar o herói a enfrentar o seu enorme desafio.
  5. Ultrapassando os limites – O herói abandona o ambiente seguro e começa a aventura.
  6. Testes, aliados e inimigos – Em meio à jornada, o herói encontra amigos e inimigos. Em O Mágico de Oz, Dorothy junta-se ao Espantalho, ao Homem de Lata e ao Leão Covarde. Mais tarde, macacos voadores perseguem Dorothy e seus companheiros.
  7. Chegando à caverna mais profunda – O herói entra em um lugar perigoso, geralmente o refúgio do inimigo, e se prepara para a batalha.
  8. Grande provação – O herói se une em uma luta de vida ou morte com o inimigo e morre ou parece morrer. Depois, o herói experimenta um renascimento de algum tipo.
  9. Recompensa – O herói suporta a morte e recebe uma recompensa.
  10. Caminho de volta – Vencida a batalha, o herói retorna para casa.
  11. Ressurreição – O herói deve enfrentar um novo desafio. Como as lutas anteriores do herói o preparam para esta nova provação?
  12. Trazendo o elixir – Após a viagem, o herói volta para casa com um troféu ou um tesouro.
“Procure histórias com uma verdade universal (...) e uma moral que reflita os aspectos previsíveis da natureza humana com a qual a maioria de nós se identifica.”

As suas histórias de ensino não precisam incluir tantos detalhes dramáticos, mas as pessoas se relacionam às histórias em que os heróis superam adversidades. A sua própria jornada do herói – resumida em uma história – pode ser uma poderosa ferramenta de ensino.

Modelos bloco de construção

Conforme você organiza os elementos individuais da sua história, os seus “blocos de construção” vão criando a sua estrutura. Embora estas estruturas possam ser estereotipadas, você está escolhendo um conteúdo original. O modelo bloco de construção aplicável no planejamento de histórias exige tanta estrutura quanto os modelos receita de bolo, mas o conteúdo não é tão específico. O modelo “ICAP” é uma variante prática do modelo bloco de construção. Esta  estratégia de planejamento de narrativas conta com quatro elementos:

  1. Intenção – Isto responde à pergunta: “O que eu quero que essa história faça?”
  2. Contexto – Explica aonde você quer levar o seu público. “Contexto é detalhe”, porém querer impressionar os ouvintes com muitos detalhes pode inviabilizar a história.
  3. Ação – Este elemento funciona através dos “eventos-chave e consequenciais” da sua história. Nunca se esqueça: “a ação é o motor que alimenta a sua história”.
  4. Ponto – Este elemento estrutural mostra como os aprendizes se beneficiam da sua história. Uma vez comunicada a sua história, não importa qual seja a sua intenção original, a história agora pertence ao seu público, não a você. Eles devem ser capazes de determinar o seu ponto principal e descobrir a relevância para suas vidas. Esta é uma descoberta deles; não cabe a você, o contador da história, defini-la.

Como contar a sua história

Para facilitar o aprendizado, você deve planejar as histórias certas, moldá-las para prender a atenção dos seus ouvintes e transmiti-la com autoridade. A melhor maneira de alcançar estes objetivos é por meio do processo de “facilitação da narrativa” em cinco etapas:

  1. Invente uma história que apoie o seu ponto principal.
  2. Desenvolva o ponto focal da sua história.
  3. Planeje um cronograma para a sua história.
  4. Estruture sua história e a construa com detalhes chamativos.
  5. Comunique-a no estilo mais pujante possível.

Utilizando as “expressões e gestos” certas e a linguagem corporal ideal, você vai ser capaz de “demonstrar e contar” as suas histórias. As suas apresentações vão ser mais eficazes se você envolver os aprendizes, estimulando-os a participar e tornar-se parte da experiência de storytelling. Suas histórias não precisam ser uma via de mão única. Conte a sua história e peça ao público para partilhar experiências semelhantes visando o aprendizado contínuo.

Sobre a autora:

Hadiya Nuriddin é proprietária da Focus Learning Solutions, uma empresa de desenvolvimento e design de aprendizagem organizacional que fornece cursos de desenvolvimento técnico e profissional

 

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Selecionando e moldando histórias que conectam
Hadiya Nuriddin | ATD © 2018

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Selecionando e moldando histórias que conectam

Hadiya Nuriddin | ATD © 2018

Material disponibilizado por: getabstract.com

 

 

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